terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Carta

A menina acordou cinco horas da tarde ainda baqueada do fora que levara na noite anterior. Fez sua primeira tentativa de levantar-se da cama mas a quantidade de álcool ainda existente em seu corpo fazia sua cabeça rodar, rodar e rodar como se estivesse em um carrossel com sua velocidade aumentada. Tonta e sem forças, ja que não comia nada ha horas, acabou por cair desajeitada na cama, foi preciso uma terceira tentativa até que a menina conseguiu finalmente se levantar. Saiu de casa com a roupa do corpo, a mesma da noite anterior, e desceu dois andares de escada segurando-se pelo corrimão. Foi andando, ou melhor, se arrastando até o café mais próximo onde pediu um expresso sem açúcar. Enquanto tomava seu café sentada no canto da loja perto da janela a menina observava o mundo la fora, o dia estava estranhamente cinza e as pessoas que andavam pelas ruas cinzentas pareciam estranhamente tristes mas a medida que a cafeína entrava em suas veias a menina pode observar que as pessoas não estavam tristes e sim cansadas das suas vidas metropolitanas apressadas e sem amor. A medida que a cafeína fazia efeito e a menina observava as pessoas sua tristeza mudava, ela ja não estava mais triste pelo seu coração partido, mas sim pelas pessoas que viviam sem amor. Ela agora compartilhava a sua tristeza com o mundo. Voltou para casa tão "cansada" quanto as outras pessoas que caminhavam pela rua. Antes de subir novamente as escadas decidiu verificar a sua caixa de correio. Dentro havia nada mais nada menos do que um pequeno pedaço de papel vermelho escrito "Não fique triste querida, eu te garanto que existe alguém por ai que te ama muito." com um coração desenhado. Era um começo de um novo amor.

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