terça-feira, 20 de abril de 2010

Levemente, cai a neve

Era domingo, acordei mais cedo do que o usual, me sentia congelando, apesar de todas as roupas e cobertores que me cobriam e da calefação ligada. Também sentia-me leve, sonhei que estava patinando no gelo, uma música muito calma, perfeita para o momento tocava ao fundo, eu estava usando uma roupa branca, com alguns brilhos espalhados por ela, patinei um pouco, saltei, senti um holofote branco em meus olhos e acordei tranquila e leve. Levantei-me, coloquei minhas pantufas surradas e segui em direção à cozinha. Fiz meu tradicional cappuccino, vocês sabem, aquele que sempre faço quando acordo cedo em uma manhã fria de inverno, nosso pequeno apartamento estava em silêncio absoluto, voltei para o meu quarto, coloquei meus fones de ouvido, o meu Ipod tocava minha música preferida, sentei-me no sofá e olhei através da janela.
Aquilo era realmente o que eu estava pensando ser? Estava realmente nevando? Não pude acreditar nos meus olhos, meu cappuccino teria que esperar, coloquei uma roupa mais quente e saí. Nós morávamos em um prédio antigo e o elevador era muito lento, por isso desci as escadas correndo, por favor, não pensem que eu sou uma doida, maluca, desesperada por neve, já estávamos no meio do inverno e eu não vira um sequer floco de neve, eu estava esperando por aquele dia já fazia um bom tempo. Cheguei ofegante lá em baixo, abri meus braços e comecei a rodopiar pela rua, parecia uma cena de filme. Poderia ficar horas ali apenas observando a neve cair levemente, cobrindo toda a cidade de branco, como eu adorava Paris quando nevava, era tudo tão lindo, tão branco, tão leve, mas certamente mamãe brigaria comigo dizendo que aquilo era um absurdo, que eu ficaria doente, etc,etc, então voltei para casa antes que ela percebesse que eu havia descido. Voltei a tomar meu cappuccino e fiquei observando, da minha janela mesmo, a never cair, livre, leve e solta.

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